Investimento em projectos de reabilitação mais expressivo em Portugal
A reabilitação urbana desempenha um papel cada vez mais importante nas cidades, e está a fazer mexer o mercado imobiliário. Por ser uma aposta diferenciadora, começa a notar-se um aumento de investimento privado em projectos destinados a reabilitação, e também uma maior procura por este tipo de produto.
A Business Imobiliária, a empresa que assumiu a comercialização do empreendimento "Pátio Luso" - projecto situado no Porto com promoção do Grupo Edifer -, garantiu já a colocação de 75% dos imóveis destinados à habitação, bem como a totalidade das fracções para comércio.
«Como managing director da Business Imobiliária, constato que 85% dos empreendimentos situados na cidade do Porto, Matosinhos e Vila Nova de Gaia estão com níveis de ocupação dos imóveis ou contratos promessa assinados na ordem dos 30% a 40%, enquanto que neste projecto de reabilitação atingimos os 75% das vendas efectuadas, em que 60% já habitam as respectivas casas», revela Miguel Freitas.
«Pela experiência que temos, quer ao nível da comercialização de empreendimentos, quer no mercado de imóveis/prédios devolutos destinados à reabilitação ou adaptação, este é um mercado que se encontra em franco crescimento, pois verificamos que a procura por este tipo de casas e apartamentos na "Baixa" da cidade do Porto é uma realidade. Os clientes estão saturados de ofertas que são na sua maioria mais do mesmo, ou seja projectos normalíssimos iguais aos do início da década de 2000, em que a única diferença visível são os upgrades tecnológico e ambiental».
Potencial de futuro
Recentemente, o Grupo Duarte anunciou o investimento de cerca de um milhão de euros na reabilitação de um edifício na rua Passos Manuel, no centro histórico do Porto, um projecto-piloto que assinala a entrada da empresa neste segmento.
A aposta, explica João Duarte, deve-se ao facto de o Grupo encarar a reabilitação urbana como «um dos segmentos imobiliários com maior potencial de desenvolvimento futuro, principalmente nos centros das cidades». «A reabilitação de um edifício no centro histórico pressupõe a reabilitação de um modo de viver. No sentido oposto à construção sem alma dos arredores da cidade, procuramos reavivar a "personalidade" dos edifícios do Porto, oferecendo uma forma alternativa de viver e habitar».
Na sua opinião, «o mercado está saturado na oferta de casas nos arredores da cidade, a grande maioria sem carisma que as distinga de um todo. O cidadão atento procura uma habitação condizente com o seu estilo de vida. O estilo de vida que propomos acreditamos estar em forte crescimento, e no futuro próximo o centro do Porto estará com nova vida e vida de qualidade».
«Viver num edifício com história, num centro histórico com identidade própria. Perto de tudo o que é importante, comércio, cultura, lazer, diversão», são alguns dos principais atractivos deste produto imobiliário.
Quem procura?
«Sobretudo pessoas viajadas e que pretendem habitar em imóveis reabilitados/recuperados, tal como presenciam nas capitais europeias, onde vemos pessoas a entrarem em edifícios que pensamos ser um "Ministério Público" mas que na realidade é o edifício onde têm o seu apartamento», observa Miguel Freitas, da Business Imobiliária.
«Verifico também que a procura destas habitações recai sobretudo nos jovens e nos idosos, que querem voltar ao centro pois a mobilidade e a centralidade é um factor primordial, enquanto que as famílias só procurarão esta localização quando os organismos públicos se empenharem na organização dos espaços: mais e melhores jardins, limpeza mais assídua dos passeios e ruas, bem como um maior empenho no policiamento de proximidade».
Face à oferta actual, a procura por este tipo de produto é «muito grande, sendo que existem clientes para todos os segmentos de mercado, tanto para aquisição como para arrendamento. No caso do arrendamento, o cliente não é tão criterioso nem selectivo, pois estamos a falar de situações temporárias onde por exemplo a localização é um factor prioritário em detrimento dos materiais aplicados, acabamentos ou exposição solar», nota Miguel Freitas.
Ainda que enfrente alguns obstáculos, o mercado da reabilitação está a dar bons resultados. «Nestes últimos 14 anos, a experiência da Business Imobiliária passou essencialmente pela comercialização dos empreendimentos do grupo Edifer, nomeadamente Edifer Imobiliária. Tendo em conta que a sede da empresa se situa num edifício reabilitado do início do séc. XIX, no centro da cidade, decidimos vocacionar também a prestação dos nossos serviços para o mercado de Reabilitação Urbana da Baixa Portuense». Em resultado, nos últimos três anos a Business comercializou, «com sucesso, 4.550 m² de casas/prédios devolutos ou com inquilinos», concluiu.
Monterg reforça quota de mercado
A Monterg Construções (Grupo Lena) está também a reforçar a sua quota de mercado na área da reabilitação, que neste momento representa mais de 50% da carteira de obras da empresa.
«Notamos alguma evolução na procura por este tipo de produto. A recente conclusão de um edifício emblemático no centro da cidade de Leiria, e a adjudicação da 2ª fase das obras da Sociedade Nacional das Belas Artes em Lisboa terão, eventualmente, contribuído para alguma notoriedade da Monterg neste tipo de obras», afirma o administrador da empresa, António Pinto.
Para o responsável, este é de facto um mercado promissor. «Consideramos que numa fase de recessão na procura e de saturação da oferta, nomeadamente ao nível de produto indiferenciado mesmo dentro das cidades, os nichos de mercado poderão ser uma das portas de saída». O mercado da reabilitação, «associado a localizações de excelência e a bons níveis de acabamento», é «um segmento com potencial de crescimento».
Reabilitar para potenciar recuperação económica
A aposta na reabilitação urbana desempenha um papel importante nas estratégias de diferentes governos para combater a crise. De acordo com Reis Campos, presidente da direcção da AICCOPN - Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas, «Portugal tem cerca de 800 mil fogos a necessitar de profundas obras de reparação, dos quais 114 mil reclamam mesmo uma intervenção urgente»*.
De acordo com este responsável, «trata-se de um mercado de 28 mil milhões de euros que não está a ser devidamente aproveitado e que é fundamental, não apenas para contrariar a profunda crise em que o sector da Construção vive desde 2002 mas, também, para dinamizar o emprego e potenciar a recuperação económica».
Fonte : Casa Sapo